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« A teoria fotográfica se ensina em uma hora: as primeiras noções da prática, em um dia... O que não se ensina é o sentimento da luz...O que se ensina ainda menos é o tato que coloca você em comunicação com o modelo e permite a você de dar, não banalmente e ao acaso, uma indiferente reprodução plástica ao alcance do último servente de laboratório, mas a semelhança mais familiar e a mais favorável, a semelhança intima”.
                                                                                  (Félix Nadar, Paris, 1857 )

 

Quais os paralelos que podem ser traçados ou não entre portraits de um fotógrafo francês do século XIX, Félix Nadar, considerado rei do gênero em sua época; de um ícone da fotografia do século XX, Henri Cartier-Bresson, que eternizou o instante fotográfico; de um fotojornalista brasileiro, Cláudio Edinger, autor de portraits excêntricos e ousados e de um artista contemporâneo, Arthur Omar, para o qual “faces gloriosas” são puro momento de êxtase?
Se, na era digital em que vivemos, o instante fotográfico é veloz e banal, no século XIX, logo após a invenção da fotografia, ele era uma eternidade. A maneira como fazemos portraits hoje é completamente distinta da que se praticava no passado? O que mudou? O que herdamos e preservamos e o que descartamos? Como observar estas mudanças a partir das imagens?
Esta é a proposta do workshop “ O portrait fotográfico através da história” ministrado pela pesquisadora Teresa Bastos. A partir de um passeio visual ao longo do tempo, o curso tem como objetivo não só apontar as diferenças  e semelhanças na composição dos retratos e no estilo dos fotógrafos, bem como observar e refletir sobre as várias maneiras de se produzir um portrait fotográfico.
 O ato de “produzir” imagens é inseparavel do de “ver” imagens. O que vemos, como vemos e o que sentimos? Como enquadramos a realidade na imagem fotográfica? Tentando aproximá-la o máximo possível do real ou reinventando-a? Como documento, ou como ficção?
 Essas questões e muitas outras estão presentes em nossas decisões no fragmento de segundo que decidimos registrar um portrait, só que nem sempre paramos para pensar sobre elas. Os questionamentos surgem também quando olhamos uma fotografia, pois, o que chamamos imagem é, na verdade, um instante, vivido por quem a produz e recuperado por quem a vê. 

Breve Curriculum de Teresa Bastos

Teresa Bastos é pesquisadora e estudiosa da fotografia, autora da tese de doutorado “Uma investigação na intimidade do portrait fotográfico” recentemente defendida. Doutora em Letras pela PUC-Rio, trabalha com fotografia e texto literário. Parte de seu doutorado foi feito em Paris, com pesquisas e cursos exclusivos sobre imagem, arte e fotografia  no Laboratoire de Histoire Visuel Contemporaine  (LHVIC) da Ecole des Hautes études en Sciences Sociales. (www.lhivic.org). Freqüentou nesse período instituições francesas ligadas à pesquisa e conservação fotográfica como a Société Française de Photographie, a Bibliothèque Nationale e a Maison Européenne de la Photographie. Além de pesquisadora, Teresa Bastos é jornalista e fotógrafa, já tendo trabalhado como Editora de fotos de dois bancos de imagens cariocas e da  Encyclopadia Britannica do Brasil. Responsável também pela produção de conteúdo e edição de fotos de sites da internet e pesquisadora e editora de fotos e textos do livro “Tributo a Lagoa”, do fotógrafo Fernando Rabelo. Como fotógrafa, desenvolve trabalho de portraits em preto e branco, uma releitura do portrait do século XIX e  atualmente é pesquisadora do Setor de Iconografia do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro.

Carga  Horária : 4 horas – das 9:00h às 13:00h

Geralmente aos Sábados

Pré-requisito : nenhum

 


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